O pontão rochoso e desolado que se projeta no Mediterrâneo é o limite oriental da Península Ibérica. É neste ponto que os primeiros raios de sol do Ano-Novo despontam, embalando festas e celebrações. É aqui também que um farol do século XIX disputa espaço com um farol falso, erguido na década de 70 pelos produtores hollywoodianos do filme Um farol no fim do mundo (1971). A trama, inspirada em um romance de Júlio Verne, trazia nos papéis principais os atores Kirk Douglas e Yul Brynner e contava a história de um grupo de piratas que induziam embarcações mercantes a se chocar contra os rochedos para pilhá-las. Detalhe: a localização geográfica da trama, tanto no livro como no filme, se dá no extremo sul da América do Sul, numa época anterior à criação do Canal do Panamá, o que forçava a navegação pelas águas traiçoeiras do Cabo Horn. Não importa. O cinema sempre foi a arte da ilusão. E os ásperos rochedos açoitados pelo vento do Cap de Creus se prestam muito bem a recriar o clima exato exigido pela fantasia de Verne. Uma estradinha sinuosa e panorâmica de apenas 6 quilômetros separa os penhascos de Cap de Creus de nossa casa em Portlligat.